1# EDITORIAL 23.7.14

"POLTICA E ELEIO: NADA A VER"
 Carlos Jos Marques, diretor editorial 

Definitivamente a grande dvida que toma coraes e mentes de analistas e polticos s vsperas de eleies est sanada: a Copa do Mundo no influencia votos por aqui  nem a favor, nem contra  e, portanto,  de bom tom que ela no seja usada como um golao por parte do governo, muito menos como um gol contra pela oposio. Futebol e poltica esto notoriamente dissociados na viso do eleitor brasileiro de uns tempos para c e por isso o impacto de derrotas ou vitrias nesse campo parece ser nulo nas urnas. A pesquisa Isto/Sensus divulgada nesta edio foi apurada nos dias logo aps o fim do evento e a variao nos percentuais dos candidatos, dentro da margem de erro, demonstra de maneira inequvoca essa separao. Os trs principais candidatos a ocupar a Presidncia a partir de 2015 no tiveram grandes ganhos, ou perdas, em seus percentuais na comparao dos levantamentos de junho e julho (leia matria  pg. 36). Ao contrrio, pode-se at dizer que os nmeros ficaram quase estagnados tanto no que diz respeito ao ndice de simpatizantes de cada um como no plano da rejeio. Dilma, Acio e Campos seguem em uma disputa que continua sinalizando fortes chances de um segundo turno e a nica mudana digna de nota nesse cenrio, ainda pelos dados da ISTO/Sensus,  a do empate tcnico entre Dilma e Acio, que ficaram, respectivamente, com 36,3% e 36,2% na preferncia dos entrevistados.

Aps a hecatombe da partida entre Brasil e Alemanha, o QG do Palcio do Planalto havia disparado uma operao abafa com o objetivo de desvincular a imagem do governo do mau desempenho obtido pela Seleo nos gramados, enaltecendo os aspectos positivos da realizao do Mundial. Tentou assim evitar arranhes no projeto de reeleio. Os adversrios polticos, por sua vez, trataram logo de lembrar que nos primeiros dias de bola rolando, quando o escrete canarinho ainda colecionava vitrias e avanava, Dilma esforou-se para mostrar proximidade com os jogadores, enviando mensagens de congratulaes, falando de seu governo como padro Felipo e posando com um gesto de  tois, marca do artilheiro Neymar. Estrategistas dos partidos avaliam que nunca uma Copa foi to politizada e usada como ferramenta de alavancagem de campanha. Mas na prtica, em que pese ela ter sido realizada aqui, os donos dos votos disseram em alto e bom som que rejeitam essa associao. Para eles, uma coisa no tem nada a ver com a outra. Pelo bem do Brasil.


